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ENTREVISTA: George cobra de futuro governo reestruturação fiscal no Rio Grande do Norte

Em entrevista ao Portal Agora RN/Agora Jornal, parlamentar diz que estado viveu ‘anos de descaso’ na área econômica

Eleito em 2014 com 38.637 votos, o deputado estadual George Soares (PR) concedeu entrevista ao Agora Jornal e abordou diversos assuntos relativos ao cenário político estadual e nacional no tocante às eleições agendadas para o ano que vem. Entre tantos pontos presentes na sabatina, o deputado do Partido da República falou sobre a reforma política que vem sendo debatida na Câmara Federal, sobre o quadro de sucessão no Rio Grande do Norte e no Brasil, e ainda avaliou as gestões de Robinson Faria (PSD) e Michel Temer (PMDB).

No que se refere ao governo potiguar, o parlamentar chamou a atenção para os problemas fiscais que o Rio Grande do Norte vem sofrendo, resultado de anos de ‘descaso’ com a economia do Estado, e cobrou que o próximo governador do RN, antes de qualquer coisa, tenha um planejamento para implantar uma reestruturação no fisco estadual, de modo que diminua a dependência do Estado pelos recursos que são repassados pela gestão federal. “Se não haver uma mudança severa de pensamento, o discurso de dificuldade permanecerá por novos anos”, frisou.

Confira os principais pontos da entrevista de George Soares ao Agora Jornal:

REFORMA POLÍTICA

É preciso que se divida a necessidade do momento político daquilo que o Congresso pensa. Há um distanciamento muito grande até mesmo dos anseios sociais. Já se falou em eleições de 5 em 5 anos, com mandatos únicos e sem possibilidade da reeleição, mas é algo que precisa ser mais estudado. Atualmente, fala-se em reforma política partindo de duas situações principais: financiamento de campanhas e formato de eleições para deputados. O Brasil já vivenciou um momento em que qualquer um tinha o poder de doar para as campanhas, seja pessoa física ou jurídica, mas agora existe um sistema de prestação de contas muito agressivo. É importante ter isso, mas gera um custo alto às campanhas. Hoje, quando se avança em algo no país, outro acaba ficando travado. É necessário encontrar uma forma de harmonizar as coisas de modo que fique viável para ambas as partes.

DISTRITÃO

Existem dois modelos. O atual, que se trata de eleição proporcional, tem uma injustiça alegada que está no fato de que coligações menores, com menos votos, elegem candidatos que tiveram votações mais baixas que outros, fazendo perder o peso da representatividade, que é a grande construção do sistema de parlamento. O outro mantém isso mais igualitário, fornecendo o mandato para os que tiverem mais votos. O ideal seria a proposta ‘mista’, que o Congresso já tem trabalhado em cima dela para ser aplicada nas eleições de 2022. Em suma, uma parcela seria eleita diretamente através do voto majoritário, e outra viria a partir de indicação dos partidos, formando assim um modelo distrital misto, mas em outra modalidade. É algo forte que o Congresso precisar dar uma resposta. Se até o final de setembro não aprovado nada, em 2018 valerá o modelo atual.

SUCESSÃO NACIONAL

O país não tem, nos dias atuais, esperança em candidato A ou B. Não dá para visualizar confiança e norte nos nomes que estão postos na mesa, o que vem sendo comprovado através das pesquisas, registrando altos índices de rejeição, votos nulos e brancos. Devido essa falta de esperança, não é possível pensar rapidamente em um nome para assumir a Presidência, deixando o cargo com uma grande incógnita.

AVALIAÇÃO DE TEMER

No que se propôs a fazer, tem se saído muito bem. Apresentou reformas e tem conquistado vitórias com elas. As denúncias, no entanto, têm atingido bastante a sua gestão, que está tendo que passar, constantemente, por situações adversas. Porém, dentro da proposta inicial de governo, vem cumprindo o que havia planejado e não tem encarado a presidência como um objetivo pessoal atingido, e sim como realmente deve ser.

AVALIAÇÃO DE ROBINSON

Trata-se de um governador bem intencionado, mas que sofre com a questão fiscal do Estado, herdade de diversas gestões anteriores. Precisava desamarrar os nós que foram encontrados e propor uma reforma fiscal, que inevitavelmente iria gerar um choque forte em todas as lideranças, mas era necessária pelo bem do Estado e, por isso, certamente seria compreendida com o passar do tempo. Robinson perdeu essa oportunidade. Ganhou a campanha sem grandes apoios políticos. Teve a chance, mas não usufruiu dela. Somente agora a Assembleia tem recebido algumas propostas de mudanças, ajustes fiscais, mas ainda de formas pontuais, o que acaba não gerando o efeito ideal na economia.

CENÁRIO PARA 2018 NO RN

O governador que assumir o Rio Grande do Norte a partir de 2019 precisará se atentar para a questão fiscal do Estado e promover uma reestruturação nesse setor. Existe uma dificuldade profunda no RN devido ao acúmulo de erros das últimas gestões, mas é necessário alguém que tenha coragem para mudar. O RN é um estado pequeno, pobre e que depende muito do governo federal. Hoje o Estado está engessado. Independente de raciocínio político, quem assumir precisa olhar com bons olhos para essa situação, caso contrário o cenário ficará ainda pior e o discurso de dificuldade permanecerá o mesmo.

ESTRUTURAÇÃO DO PR

É um partido parceiro do Estado, muito embora não tenha caminhado ao seu lado na época da campanha. Foi assim também em 2010. Existe apoio ao governo nas pautas em que o partido entende que são importantes para o futuro do Rio Grande do Norte, como a reestruturação recente que aconteceu com o Corpo de Bombeiros. O RN terá o CBM mais moderno do país após aprovação da Assembleia Legislativa, com a participação do Partido da República votando favorável.

PROJETO DO PR PARA 2018

A intenção é que se tenha um denominador comum nas próximas eleições, diferentemente do que aconteceu em 2014, quando parte apoiou Robinson e outra parte preferiu Henrique. Com base nisso, o PR aguarda a resolução da situação nacional para, apenas depois disso, analisar os projetos que estão na mesa e rumar para o que considerar ideal. Hoje, não existe uma luz literalmente acesa, apenas flashes não confirmados.

CANDIDATURA MAJORITÁRIA

Não está descartada. Nome do ex-deputado federal João Maia pode ser lançado, assim como da atual deputada Zenaide Maia e do ex-prefeito de São Gonçalo do Amarante, Jaime Calado. O PR tem muitos valores que podem surgir como apostas para a candidatura majoritária, principalmente pelo fato de precisar de uma renovação que cause choque e reformule a maneira de gerir o Estado. Apesar das intenções de mudanças de partido dos dois últimos nomes citados, o PR não se verá enfraquecido, principalmente pelo fato de que as motivações pelas saídas não surgiram no âmbito estadual, mas sim nacional diante dos posicionamentos contrários ao partido da deputada Zenaide Maia nas votações das reformas de Temer. No Rio Grande do Norte, o bom relacionamento permanece. O espírito de Jaime e Zenaide não se confrontaria com o de João Maia, até porque são muito interligados.

GEORGE SOARES NO GOVERNO?

Não existe nenhum tipo de pretensão neste sentido. Atualmente, é candidato a deputado estadual, visando a renovação do mandato na Assembleia Legislativa. No momento, não está à disposição para disputar o cargo por entender que, hoje, tem mais ligação com os pleitos municipais e regionais. Candidatura majoritária exigiria planejamento prévio.

Agora RN

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